Novas interfaces com hologramas

Porque acessar um site em um laptop se você pode entrar dentro dele?

Estamos acostumados a interagir com o computador atráves de dispositivos como o mouse ou o teclado, mas existem novas possibilidades, verdadeiras inovações tecnológicas que quebram o limite entre a ficção cientifica e a realidade.

Na década 70, o filme Guerra nas Estrelas (Star Wars) exibia um aparelho de comunicação futurístico, que era capaz de apresentar uma mensagem gravada como um holograma 3D.

Star Wars

Será que tudo isso ainda é ficção?

Para as pessoas daquela época, sem celular e sem internet, aquilo não passava de ficção científica, e hoje, 30 e poucos anos depois, muitos ainda considerariam como ficção. Mal sabem eles que essa tecnologia não só já existe como pode ser usada como estratégia pelo marketing, em escala comercial, causando grande comoção em meio a um público que ainda fica de queixo caído com hologramas.

Livre-se das tendinites!

A rotina maçante de trabalhar com computador acaba causando algum tipo de tendinite nos ombros ou nos punhos, mas para que continuar com isso hoje? A ergonomia e a interação homem-máquina não se restringem mais a uma pessoa sentada diante de um computador. Não precisar mais de um instrumento como um mouse ou um teclado para apontar, clicar ou interagir com uma interface já é banal.

No filme Minority Report de 2002, Tom Cruise era capaz de interagir com um super computador sem usar nenhum dispositivo, apenas mexia as mãos soltas no ar como um maestro que rege uma orquestra.

Minority Report

Hoje é cada vez mais comum aparelhos como o Microsoft Surface, Atracsys beMerlin ou o Project Maestro da Cinergy Labs, capazes de criar uma interação bem mais avançada que a atual e rotineira interface homem-máquina, baseada em alguém sentado interagindo com um mouse ou teclado para usar um computador.

Project Maestro

Microsoft Surface

Atracsys beMerlin

Controle Atari e geração mouse

Outro ponto é que, tirando quem já era adulto quando a era dos PCs iniciou, o primeiro interesse dos mais novos pelo computador são os jogos e, decididamente, o Nintendo Wii pegou e essa geração de crianças vai crescer e vai ser mais ávida por liberdade de movimento que os mais antigos. Vale lembrar que hoje, elas param de jogar video-game porque se cansaram de pular e se movimentar, e não porque o pulso está doendo como a gente, na época do Atari, quando ficávamos apertando aquele botão vermelho do duro controle pré-histórico.

Wii x Atari

Usar um mouse é mais confortável que tentar zerar o Enduro, mas nada melhor que se movimentar livremente.

Temos que ser ainda mais livres

Contudo, essa liberdade de movimento não é o ápice das novas interfaces. Esse tipo de tecnologia, apesar de mais avançada e ainda de ponta, é muito dependente de uma superfície plana a ser projetada, que seja uma mesa, uma TV, uma parede ou um display solto no ar, mas preso ao teto.

Há algo básico nisso: não vivemos num mundo 2D, plano e chapado. Vivemos sim em um mundo 3D, olhamos para trás, para a frente, pra esquerda, pra direita, pra baixo e para cima... Mas cadê essa movimentação nas interfaces que existem atualmente? Porque estamos tão acostumados e acomodados a não mais pegar, tocar, girar e estender e tantos outros movimentos que podemos fazer e que este par atual de mouse/teclado nos restringe?

É claro que toda tecnologia inovadora é cara, vai levar um tempo para se tornar residencial. Mas houve um dia que celular e computador era muito caro e coisa só para ricos.

Por que os hologramas vão revolucionar as interfaces?

Até hoje toda interação com o mundo virtual foi 2D, ainda não tivemos a oportunidade de "pegar" um link solto no ar pelo X, Y e Z, ao invés disso, só pudemos até então, apenas clicar com o mouse no eixo plano do X e Y. Algo muito etéreo e distante para quem tem um corpo, virtual demais.

Ou de forma mais simples e direta: porque, atualmente, adultos sérios e engravatados, jornalistas e estilistas de egos inflados, crianças, nerds fãs de ficção científica, pessoas com tendinites, xiitas de ergonomia babam ao ver e interagir com algo que é virtual sim, mas que é 3D, como a vida real. Pode ainda não ter tato, mas é o mais perto do modelo do real que temos disponível hoje.

O que já foi feito e virou passado

A Telstra, uma companhia telefônica australiana, inovou em maio de 2008 ao afirmar que seu provedor tinha uma banda larga que de tão estável e rápida era capaz de transmitir uma vídeo conferência em real-time com o holograma projetando as imagens captadas e enviadas por uma webcam conectada a internet.

A CNN, um dos maiores canais de jornalismo televiso mundial, teve em Novembro de 2008, a presença de uma repórter holográfica, também em tempo real, sendo exibida no estúdio e televisionada para o mundo todo.

Mas antes disso em 2007 a marca de jeans italiana Diesel exibiu hologramas para criarem efeitos visuais em um de seus desfiles, e já em 2006 a top-model Kate Moss apareceu como holograma em outro desfile. Très-chic, non?

Holograma chama a atenção

Em 2005, o carro Lexus foi lançado com uma ação de marketing que utilizava hologramas em alguns pontos super movimentados como o Times Squares em Nova York, Miami e Los Angeles. O efeito da ação? Queixo caído e boca aberta, e olha...não eram mais crianças.

Outra campanha foi da HP em Singapura, em 2007, de novo o mesmo efeito...adultos bobos, viralzinho básico: "Você já foi ver o holograma?". O legal desse vídeo é que além de mostrar as pessoas tentando tocar os hologramas, tem depoimentos dos transeuntes.

Fazer hologramas ainda é cult, hiper hi-tech e é epidêmico: divulgue uma ação de marketing com hologramas e pimpa, ganhe de brinde um viral gratuito disseminando seu produto pelo mundo todo através de blogs, youtube, redes sociais e de noticiários de TV.

O estado da arte em interface

O que tem de mais revolucionário em Hologramas e interfaces ainda não é muito explorado comercialmente, mas sem dúvida, em breve irá transformar nosso ambiente e mudar radicalmente a nossa interação com máquinas, principalmente quando seu uso se tornar residencial e comum no dia a dia.

É possível projetar qualquer coisa em holograma, mesmo imagens 2D como fotos. Mas para que o holograma use ao máximo seu poder e que cause um verdadeiro efeito tri-dimensional, a imagem de origem precisa ser um vídeo 3D, como o dos desenhos animados ou da ressonância magnética dos médicos.

As interfaces de computador atuais captam o movimento do usuário (seja pelo mouse ou pelo toque numa superfície 2D) em apenas dois eixos o X e o Y, mas o que uma interface holográfica permite de tão inovador é o diferencial de ser possível capturar o movimento em três eixos: X, Y e Z. Assim, você pode visualizar e acessar suas fotos salvas em um site "pegando-as" soltas no ar, sendo que se você aprofundar sua mão (movimento em Z) poderá pegar uma imagem diferente, tal como se fosse um movimento no nosso mundo real.

Dê adeus à tendinite, ao punho dolorido, ao som do clique do mouse e das teclas sendo pressionadas. O conceito de superfície plana das aplicações de desktop dará lugar ao movimento espacial 3D, virtual ainda, mas mais próximo do real. Um reflexo mais perfeito dele.

Os donos da tecnologia

Microsoft, Google, Apple? Que nada...essas empresas ainda dependem do desktop, do linear e do plano. Mas sem dúvida, quando popularizar darão seu gás, otimizando as aplicações e tornando-as comuns.

No mercado de hologramas são outras empresas que dominam, com um perfil mais de pesquisa e que estão investindo nessa tecnologia e desenvolvendo produtos inovadores. Do que pesquisei posso citar três: Lm3labs, Io2 Technology e Provision.

Melhor do que falar sobre elas é mostrar os vídeos com os produtos dessas empresas. Ah, e vale muito a pena entrar nos sites e ver os vídeos que elas fizeram para demonstrar sua tecnologia, o showreel.

Lm3labs

Io2 Technology (revendido pela Woehburk)

Provision

Interfaces futuras

Como os vídeos das empresas demonstram,a tecnologia de interatividade e projeção de hologramas já existe, porém ainda não achei um exemplo concreto que ilustrasse como essa tecnologia pode ser aplicada no dia-a-dia para nos ajudar com coisa úteis e não meramente ilustrativas como mexer um globo ou girar um logo holográfico.

Entretanto, um exemplo fictício do que é já possível ser feito é o TGC do designer israelense Ivan Tihienko. Ele criou um projeto hiper-legal de uma interface holográfica, ainda não realizada, mas totalmente possível:

Para concluir, ressalto novamente: esse tipo de aplicação já é possível se tornar real. Só falta uma Nike, uma Adidas ou uma Apple botar a grana para girar o mundo. Um mundo em 3D e holográfico!

Minority Report

Toda essa parafernália é cara (chega fácil a 40 mil reais uma projeção do tamanho de uma TV 14") e a qualidade da imagem ainda não é perfeita, mas dado o avanço da tecnologia logo estaremos num mundo cada vez mais Minority Report, com hologramas capazes de não só exibirem, mas coletarem dados e interagir espacialmente conosco, captando nosso movimento e abrindo uma nova era no campo de interfaces visuais.

É apenas uma questão de tempo para saber quem será que vai sair na frente.